sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Para quem gosta de ler e refletir.

O Invisível ‘Morro de Medo’ 
(por Denise Puppin)

O ano era 1992, e eu, iniciava meus estudos em PNL - Programação Neurolinguística.

Meu professor (1), um alemão residente em Berlim, nessa ocasião principiava sua formação em língua portuguesa.

Uma aluna, durante um exercício em sala de aula, disse à ele: “eu morro de medo de dirigir”. Ele, convicto do entendimento, disse: “morro de medo”? Que interessante! Qual o tamanho desse morro? A aluna não entendeu a pergunta e eu, sorri por compreender a homonímia.

Homonímia?
Embora a sonoridade e a grafia das palavras sejam iguais, os significados são diferentes. Nesse diálogo, cada interlocutor criou uma imagem diferente do vocábulo ouvido. O professor imaginou ‘morro’ como uma montanha e a aluna, ‘verbo morrer’.

O ‘Morro de Medo’.
Minha natureza interiorana vivida no interior de Minas Gerais, possibilitou a criação imediata da imagem de uma enorme montanha de medo. Naquele instante percebi que podemos tê-la em nossa frente, em nossa mente.

Entendi que o ‘morro de medo’ é virtual, seu aparecimento é repentino e inconsciente. Frequentemente é edificado por aqueles que possuem um grande sonho e hesitam em apropriar-se dele. Deparamo-nos com ele também quando saímos da nossa zona de conforto, rumo ao desconhecido. Nas conversações, a expressão ‘morro de medo’, é usada para declarar um forte e paralisante sentimento.

O ‘Morro de Medo’ é real, porém invisível.

Como sou eu diante dele.
Diante do ‘morro de medo’, a mente e os sentimentos ficam confusos e o indivíduo duvida de suas capacidades. O pensamento se divide e, vozes antagônicas que emergem do seu interior ora o anima, ora o desanima a ultrapassar a barreira imaginária.

A voz que estimula, diz “Vai, anda, você pode, confie”, a que desestimula, “Agora não, você não está preparado”. Nas conversações é corriqueiro pronunciar as frases, “Eu gostaria muito de...”, “Eu queria tanto...”, “Se eu pudesse..., eu...”. São elas que sinalizam ao interlocutor atento que a pessoa ainda possui sonhos, embora enfraquecidos.

Coragem é a ausência de medo?
Não. Medo é a resposta natural a uma ameaça percebida, e ter coragem, é escolher agir apesar de o medo existir.

Ter coragem é decidir subir o ‘morro de medo’ e dar um passo rumo à realização do sonho. Agir com coragem é descobrir que o medo não pode detê-lo. Motivo pelo qual se faz necessário acreditar que, aquilo que antes se imaginava ser o limite, é na verdade o ponto de partida.

Além da maravilhosa sensação de prazer e bem estar, chegar ao topo do ‘morro de medo’ nos permite ver uma paisagem incrível, a imagem clara e nítida do nosso sonho realizado.

(1)  Meu  professor  era Johann  Kluczny. Ele  e  Cristina Zouein,  aplicavam maravilhosos seminários sobre PNL, na cidade do Rio de Janeiro.

Denise Puppin é fonoaudióloga (4744 RJ); Professora de Oratória (acadêmica, artística, forense, política, popular e sacra) e Retórica contemporânea; Consultora em Comunicação Humana com ênfase no desenvolvimento do 'Ser Integral'; Consultora de Imagem e Estilo Pessoal; Trainer e Coach de Apresentações, Discursos e Treinamentos; Master Practitioner em PNL - Programação Neurolinguística (Instituto de Berlim/Rio); Especialista em Experiência de Aprendizagem Mediada (Icelp/Rio) e Emotologia; Terapeuta no 'método Padovan de Reorganização Neurofuncional'.
Desde 1991, ministra treinamentos e cursos individuais, grupos e empresariais em todo o Brasil.


Este texto pode ser reproduzido desde que seja mencionada a autoria e a fonte de onde o mesmo foi extraído, ou seja, o endereço desse blog.
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http://twitter.com/Denise_Puppin

23 comentários:

  1. Maravilha. Adorei o texto. Muito bom.
    Abraços
    Gilberto G. Barros

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  2. Excelente texto! Excelente percepção. Num mundo onde o medo nos assombra, onde as questões emocionais são tão pouco cuidadas esse texto nos oferece uma oportunidade de reflexão profunda. PArabéns por mais uma ajuda a muitos!!!

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  3. Muito bom, Denise!
    A homonímia tornou-se uma metáfora interessante. Reflexão bem construída, bom fluxo de pensamento e ótima conclusão.
    Está nascendo uma escritora!
    Beijão,
    Mario Jorge.

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  4. Oi Denise. Creio que a metáfora é ótima. Morro de medo pode ser, como você diz, uma oportunidade. Eu acrescentaria que o "morro de medo" pode se transformar depois de algumas "respirações" no "morro da presença", ou seja a boa insegurança, um lançar-se sem agarrar-se, sem segurar-se em nada do que já conhecemos.
    Um abraço, Michel

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  5. Belo texto... mais belo é conseguir escalar as montanhas de medo que se abrem a nossa frente a cada amanhecer!

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  6. Olá!! Maravilhoso seu texto!!! me lembrou um livro do Chico Buarque: Chapuzinho Amarelo... Ela era a chapeuzinho vermelho, com um "morro de medo" acoplado... Nunca mais esqueci esse livro pois na hora em que ela fica frente à frente com o Lobo, ela decide gritar o nome dele... E grita seguidamente LOBOLOBOLOBOLOBOLOBOLOBOLO!!! E então ela tem uma crise de riso quando percebe que o lobo virou BOLO!!!!!!!!! Deveríamos fazer isso com todos os nossos temores para nunca mais alimentar o "morrer de medo"!!!!
    Grande beijo!!
    Laila

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  7. Querida Denise, adorei o texto. Em todos os aspectos. Bem escrito, inteligente, claro. Reflete o caminho de aprendizado e experiências que você tem vivido desde aquele dia distante, em 1992. Bela descrição do medo e da superação através da coragem de agir.
    Parabéns!
    Beijo carinhoso,
    Jael

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  8. Professora Denise, O seu texto transmite sua singularidade, que é entrar no mundo do outro com visão de conjunto, se atentando para cada detalhe ao mesmo tempo em que faz associação de idéias inteligentes, de forma a contribuir verdadeiramente com o crescimento daquele que se deixa ser assistido pelas suas competências.
    Um grande e afetuoso abraço,
    Carmen Pina

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  9. Professora Denise, O seu texto transmite sua singularidade, que é entrar no mundo do outro com visão de conjunto, se atentando para cada detalhe ao mesmo tempo em que faz associação de idéias inteligentes, de forma a contribuir verdadeiramente com o crescimento daquele que se deixa ser assistido pelas suas competências.
    Um grande e afetuoso abraço,
    Carmen Pina

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  10. Denise! Parabéns pelos textos. Este em especial teve um significado importante. Estou passando por mudanças,após muitas reflexões e como é bom vencer aquele medo que causa inércia. Você escreve muito bem e é muito inteligente. Quando teremos um livro?

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  11. Querida Denise, muito obrigado pelo convite, gostei muito do que voce escreveu, excelente maneira de relacionar todos esses conceitos. Abraço. Raúl Flores Casafranca. Lima Perú.

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  12. Oi Denise, que história ótima! O engraçado é que a pergunta do treinador, "Onde está o morro do medo?" e a mesma pergunta que fazemos "Onde está o medo?", quando queremos "desnominalizar" um processo emocional. "Estou com medo!". "Onde está seu medo?". A pessoa interrompe o padrão na hora, pela pergunta inusitada. E a pergunta sobre o morro de medo fez o mesmo. A linguagem é gozado mesmo! Curti o texto, obrigada por compartilhar. Bjs da Arline

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  13. Eu consegui escalar o "morro de medo" e hj estou vendo uma paisagem maravilhosa, com certeza. Aprendi a dirigir...
    Adorei o texto! Sou muito fã do seu trabalho. Um grande abraço!
    Ana Claudia L da Silva

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  14. Gostei muito do seu texto! Mostra que, hoej, você tem uma percepção bastante interessante para o tema "morrer de medo". Na linguagem Emotológica, o este medo de dirigir deve ser substituído por uma imagem mental emotizada da pessoa guiando o carro feliz e confiante! O medo só exite na mente....podemos (e devemos) substituí-lo por algo prazeroso, tranquilo, sem tensão. Lembre-se de lançar mão da Lei da Emotização Dominante e da Lei da Distensão. Duas Leis da Emotologia que nos ajudam sobejamente. Bjs emotizados da Mônica Panasco.

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  15. Denise que bom resgatar contato com você que tanto já me ensinou em sala de aula e agora, está me ensinando através desse belo texto, dentre outros!
    Para mim a escalada do meu "Morro do Medo" atingiu mais um patamar, qaundo vislumbrei o horizonte e lancei meu blog: http://projetandopessoas.blogspot.com/
    É logo que quando chegamos ao topo de um morro, ainda há outros a serem escalados! Que venham os próximos! Obrigada por compartilhar! bjs
    Sandra Portugal

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  16. Verdade. Durante a vida, temos que escalar vários morros, verdadeiras montanhas.

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  17. Ótima metáfora! uma reflexão incrível, em primeiro lugar pra mim mesmo! Seu texto é muito inteligente e muito claro! parabéns!

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  18. Olá Professora Denise, adorei o texto! Adoro ler e ouvir suas reflexões...
    Faço minhas, as palavras da Laila...graças a suas técnicas, hj, tb consigo transformar lobos em bolos, risos.
    Saudações, Natácia Dias.

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  19. Denise
    Muito bom teus textos, principalmente o "morro de medo". Tambem tive uma visualizão mental do que seria um "morro de medo". Gostei tanto que me aventuro a fazer comentários.
    Na verdade todos estão ou estiveram diantes de um "morro" de medo. Alguns permanecem diante do morro e não avançam, outros cavam tuneis com as próprias mãos, outros simplesmente passam por cima dele. Acredito que existem varias maneiras de ultapassar um "morro" de medo. Dificil é saber qual alternativa a seguir e alternativas dá um medo!!!

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  20. Professora Denise, mais uma reflexão e ensinamento com a simplicidade da vida. Quantos “morros de medo” são colocados a nossa frente desde criança, através de crenças, limites, intolerâncias, etc. Nos cabe criar e desenvolver a coragem para subir esses “morros”, crescer e não simplesmente “durar” em nossas vidas. Abraço, Carlos.

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  21. Denise, você tem uma maneira de escrever que é tão natural ... parece que estamos conversando frente a frente enquanto saboreamos café com bolo. Logo de início, seu texto remeteu-me à infância e pude perceber como se deu a minha escalada da montanha do medo. E você me ajudou muito nesse processo ao me fazer perceber que eu já estava no topo dela e ainda não tinha me dado conta! Obrigada por isso, amiga! Ah, e continue escrevendo, pois está se tornando uma escritora cada vez melhor! Beijos.

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  22. Denise,aprecio sua forma de mostrar com transparência e clareza os "morros de medos" de muitas pessoas. Muito legal esse texto. Outra coisa interessante que li, é sobre as palavras usadas para demosntrarmos a intensidade de nossos sentimentos ou interesse pelas coisas, quanda falo dos sonhos ainda enfraquecidos.
    Parabéns!

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  23. Que belo texto.

    Presa a cada palavra preciosa eu fiquei e, com a certeza de que hoje, a minha vida tem um "morro", mas é uma subida cada vez mais ao topo de tudo que eu sempre sonhei no decorrer da minha vida.

    Certamente por muitas vezes deparei com o "morrer de medo", o imaginário, assustador ou desconhecido, mas hoje tenho uma facilidade de usar os termos corretos como: "eu sou capaz", "eu vencerei", "eu posso".

    E tudo passou a ter um brilho mais acentuado a decisão tomada. Obrigada mais uma vez pela oportunidade de conhecê-la melhor e admirar o seu talentoso trabalho. Parabéns, Denise!
    Fátima.

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